O relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, o suíço Jean Ziegler, declarou que o biocombustível é um crime contra humanidade, porque estaria impulsionando o aumento do preço dos alimentos. A reação foi rápida e várias foram as vozes que disseram que essa idéia é absurda, afinal ainda é muito pequena a área para que esse impacto seja sentido. Na verdade, o discurso de Ziegler é muito mais um discurso em sintonia com os lobbies das empresas petrolíferas. Mas vale a pena pensar na questão do biocombustível com calma. Além do vínculo com a área plantada que, por enquanto, é muito pequena para causar o aumento de preços, há uma questão geopolítica de saber qual o mais eficiente e menos poluente biocombustível. De cara, é possível saber que o etanol yankee, feito de milho, é um dos mais ineficientes e improdutivos do mundo e que o da cana-de-açúcar é o mais viável economicamente. É a ONU em sintonia com a velha ordem social.
Arquivo para Verdes de raiva
Fonte confiável?
A matéria “Desmatar é remédio para crise da comida“, publicada na Folha Online, mostra o posicionamento de Blairo Maggi sobre a crise de elevação de preços de grãos em âmbito internacional.
Segundo o político e empresário - ou melhor, empresário e político -, a única saída viável para driblar a crise seria relativizar a proibição de derrubada de florestas, já que estas impedem a expansão da produção de alimentos.
Me pergunto se é possível levar a sério as palavras de Blairo Maggi quando o assunto é expansão da fronteira agrícola e preservação de florestas. Além de ser o governador do Estado líder no ranking de desmatamento da Amazônia, este cidadão é o maior exportador individual de soja do mundo (5% do total exportado pelo Brasil, segundo Le Monde Diplomatique).
Além disso, se não me falhe a memória, Blairo liderou o recente corro dos que duvidaram da confiabilidade dos dados levantados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que explicitaram o crescimento vertiginoso do desmatamento da Amazônia no quarto trimestre de 2007. Seu argumento era que ele não confiava nos dados e ponto. Pergunto: O Inpe não é uma fonte confiável de informações?
O sujeito é gente finíssima. Imagine se ele tem algum interesse em particular nesta questão.